O buraco da rosquinha e a importância do vazio

Ujo Noguchi fez uma poesia famosa chamada “bolha de sabão”:

A bola de sabão voou Voou até o telhado Voou até o telhado estourou e desapareceu.

Parece uma poesia boba, até se saber o contexto dela. Acontece que o filho de Noguchi morreu ainda muito pequeno. Para um pai não deve haver tristeza maior. Isso leva o pai naturalmente a se perguntar para onde essa criança foi. E a resposta que Noguchi encontrou foi: para nenhum lugar. A criança só se reintegrou à Vida, como aconteceu com o ar dentro bolha de sabão se reintegrando ao grande ar a sua volta.


Há um haiku do Hyakkien que me marcou há muito tempo atrás:

Na raiz de lótus os buracos são saborosos

Esse foi talvez o meu primeiro contato com a importância do vazio. Nessa sociedade materialista em que vivemos, essas poesias são um tipo de colírio que me faz lembrar do quanto a nossa percepção é limitada se consideramos só a parte material das coisas. O que seria das rosquinhas sem o buraco nelas?


O quanto a gente olha, mas não vê? Num dia milhares de coisas passam pelos nossos olhos, mas o que realmente fica gravado? Ou é compreendido? Clientes que querem um poster, mas não tem formação visual, geralmente pedem para colocar algo na parte “vazia” da arte. O resultado é uma coisa sufocante e espremida. Como um trem ou ônibus lotado em que falta ar puro.


Olhar as coisas e o seu entorno, o seu conteúdo, não se deixar enganar pela aparência material, buscar a sua essência, são coisas que quero sempre fazer. Principalmente com pessoas, pois quando acho algo em comum, mesmo que lá no fundo, isso nos une.


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E você, o que acha do vazio? Por que? Deixe seu comentário mais abaixo.

Até a próxima e fique Zen!

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