Zen: o que é e como se aprende - parte 1

Atualizado: Jun 12

Daisetz Suzuki

O que é o Zen? A filosofia Zen diz que ele não pode ser compreendido logicamente, então explicar o Zen com palavras é uma tarefa árdua, e condenada a ser incompleta. No entanto podemos ter uma boa ideia básica do que ele é, através das palavras do D. Suzuki (1870-1966), um homem que, antes de ser um acadêmico, foi um praticante sério do Zen. O texto a seguir é uma tradução resumida de um capítulo dos seus livros.


Zen é uma forma de budismo que se desenvolveu na China no século oito. O seu início foi mais cedo ainda, com a ida de Bodhidharma a Índia no começo do século sexto. A proposta do Zen é eliminar as “superficialidades” acumuladas ao longo da expansão do budismo na Ásia, desde a Índia até a China. Essas “superficialidades” podem ser rituais, doutrinárias ou psicológicas. O Zen quer enxergar diretamente o espírito do Buddha: Prajna ou Sabedoria, para ver as coisas objetiva e profundamente; e Karuna ou Amor, superando o egoísmo e abarcando todas as coisas, inclusive as “inanimadas”.


Aprender a arte do ladrão e o Zen


A seguinte história ajuda bem a compreender por que o método Zen é contra ao ensinamento baseado na lógica:


O filho de um ladrão via que seu pai estava ficando velho e pensou: “Se ele não conseguir trabalhar mais, quem vai ganhar o pão de cada dia para a nossa família? Tenho que aprender essa arte”. O filho falou com o seu pai, que aprovou a ideia.


Numa noite, o pai levou o seu filho a uma casa grande, quebrou a cerca, entrou na casa, abriu um grande baú, e disse para o filho tirar as roupas guardadas lá dentro. Assim que o filho entrou no baú, a tampa foi fechada e trancada. O pai saiu para os jardins, bateu na porta fazendo uma grande barulheira e acordando a família toda. Os moradores ficaram espantados e acenderam velas, mas o ladrão havia ido embora. O filho, que ficou o tempo todo preso dentro do baú, pensou que o seu pai foi cruel com ele.


O filho estava com muita vergonha, quando teve uma boa ideia. Ele fez um barulho como um rato roendo algo. A família mandou a serva olhar o que era com uma vela. Quando o baú foi destrancado, o filho saiu, soprou a vela, empurrou a serva e fugiu. As pessoas o perseguiram. Vendo um poço ao lado da estrada, ele pegou uma grande pedra e atirou-a na água. As pessoas que o perseguiam juntaram-se em volta do poço tentando ver no fundo o filho do ladrão se afogando. Ele culpou o pai por ter escapado por pouco. O pai disse: “Não se sinta ofendido, meu filho, diga-me somente como você escapou.” Quando o filho contou toda a sua aventura, o pai disse: “Aí está, você aprendeu a arte.”


Na parte 2 deste artigo teremos mais um conto bem ilustrativo de um mestre da espada japonesa e o seu discípulo.


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E você, como entende o Zen? Deixe seu comentário mais abaixo.

Até a próxima e fique Zen!

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